quarta-feira, dezembro 07, 2005

O Principio


O primeiro projecto de conservação que vou falar (escrever) é aquele que mais me marcou até hoje, é o “Projeto Tamar”. A primeira vez que tive contacto com este projecto foi numa viagem que fiz com a minha famelga e amigos a Salvador da Baia e à Costa do Sauipe na passagem de ano 2003/2004.


Na Costa do Sauipe existe uma mini base do “Tamar” e lá adoptei uma tartaruga a “Pipas” e ajudei na libertação das tartaruguinhas no mar, como é natural fiquei logo apaixonada por elas, tão pequeninas e tão frágeis e com tanta vontade de viver!!!!

Ao falar com os biólogos e estagiários que lá estavam soube que como Eng.ª do Ambiente também podia concorrer para um estagio no “Tamar”, e que existem varias bases e que cada uma tem um período diferente de estagio que pode variar entre 1 mês e 6 meses!!

De volta a Portugal e não muito contente com o meu trabalho resolvi em Abril candidatar-me e convencer o João a candidatar-se a um estágio no “Tamar” de São Paulo por um mês, Julho ou Setembro!

Em Agosto recebemos um e-mail a dizer que em Setembro podíamos ir :DDDD e ...... lá fomos nós!!!!!

sábado, outubro 29, 2005

Conservação - Introdução

Em conservação da natureza, quando se fala de recuperação de fauna, o objectivo é, sempre, a manutenção de populações mínimas viáveis de determinada espécie.

Este é o primeiro conceito que importa reter: População mínima viável: é a mais pequena população isolada com boas possibilidade de sobreviver por um dado número de anos, apesar dos previsíveis problemas demográficos, ambientais, genéticos e, mesmo, causados por eventuais catástrofes naturais.

Essa probibilidade de persistência e o tempo de persistência são usualmente considerados de 99% e 1000 anos, respectivamente.

Ou seja, só se considera salvaguardada uma espécie que tenha 99% de possibilidades de existir daqui a 1000 anos. Espécies que não respeitem este critério, são espécies em perigo.

Ora para recuperar espécies vulneráveis, podemos actuar a vários níveis:

O do indivíduo: Reabilitando animais feridos, doentes, caídos de ninhos, atropelados, arrojados à costa ou por qualquer razão temporariamente incapazes de sobreviverem sem ajuda humana, e procedendo à sua restituição ao estado selvagem, evitando, assim, que a população em causa tenha uma baixa individual.

O da população:
IN SITU: Conservando o conjunto de uma população, ou parte de uma população, pela eliminação de factores limitantes, seja pela via legislativa (proibição da caça, Cites, criação de áreas protegidas, etc.) seja pela da gestão conservacionista dos habitats,
EX SITU: Retirando parte de uma população (plantas ou animais) de um sítio (estado selvagem) para outro (bancos de genes ou de sementes, zoos, aquários, jardins botânicos, centros de reprodução de espécies ameaçadas, etc.), para manutenção ou reprodução, com o objectivo de conservar esse organismo e, no caso da reprodução, para posterior reforço da população selvagem.

A Convenção da Diversidade Biológica (UNEP, 1992), no seu Artigo 2, define conseração ex situ como: conservação de componentes da diversidade biológica fora dos seus habitats naturais.

Ou seja, vamos a uma população fortemente ameaçada e com viabilidade comprometida devido ao excesso dos factores limitantes, retiramos um grupo de indivíduos que reproduzinos em cativeiro, totalmente defendido dos factores que o ameaçavam na natureza, até que esses factores estejam eliminados e possa ser possível a sua restituição ao estado selvagem.

Esses factores podem ser muitos, e variados
- Diminuição da área ou desaparecimento do habitat adequado;
- Falta de alimentação (determinadas presas, frutos, etc.);
- Caça excessiva;
- Competição com espécies exóticas, etc.

Logo aqui se coloca um limite ao interesse da reprodução ex situ: só vale a pena reproduzir em cativeiro para restituição à natureza, espécies que disponham de habitat natural adequado e somente quando os factores que levaram ao seu declínio estejam eliminados.

Em casos intermédios, a reprodução em cativeiro poderá ser feita, apenas, para reforço de populações em declínio.

A conservação ex situ pode ser complementar dos métodos de conservação in situ e proporciona um “seguro de capital” contra a extinção. O Banco de Sementes de Kew, na Inglaterra, por exemplo, tem cerca de 4.000 espécies em depósito, ou seja, assegura a conservação de cerca de 1,5% da flora mundial.

A conservação ex situ proporciona excelentes oportunidades de investigação sobre a diversidade biológica. Muitas das instituições que a praticam tem, também, um importante papel na educação e sensibilização do público, facultando a observação de plantas e animas com que normalmente as pessoas não têm contacto.

Os zoos têm sido apontados como locais privilegiados de conservação ex situ e estima-se que, no mundo, cerca de 600 milhões de pessoas visitam anualmente os cerca de 500.000 mamíferos, aves, répteis e anfíbios que tem em cativeiro.

Os zoos têm hoje os únicos representantes vivos de algumas espécies, incluindo o Condor da Califórnia (Cymnogyps californianus), a Doninha-de-patas-pretas (Mustela nigripes), possivelmente já extinta no estado selvagem e, no mínimo 18 espécies, foram já reintroduzidas na natureza após criação em cativeiro.

Em pelo menos seis casos – Veado do Padre David (Elaphurus davidianus), Cavalo de Przewalski (Eqqus przewalski), Lobo-vermelho (Canis rufus), Bisonte americano (Bison bison), Oryx da Arábia (Oryx leucorx), Pica-peixe da Ilha de Guam (Ilhas Marianas) (Halcyon cinnamomina) e a Galinha-de-água da Ilha de Guam (Rallus owstoni) – a espécie estava extinta no estado selvagem à data da reintrodução.

Apesar de tudo, o potencial dos zoos para a preservação a longo prazo das espécies é limitado pelo espaço físico e pelos orçamentos. Nos Estados Unidos, segundo o World Resources Institute, o conjunto dos zoos tem populações auto-sustentáveis de apenas 96 espécies. Mesmo se bruscamente metade dos espaços em todos os zoos do mundo fosse dedicado à reprodução em cativeiro de espécies em perigo, e se 500 indivíduos de cada espécie fossem mantidos pelo conjunto de zoos, somente 500 espécies poderiam sobreviver saudáveis em cativeiro, concluí o referido Instituto.

(Texto retirado de: “Reflexões sobre a recuperação de Fauna em Portugal, estado actual, necessidades e problemas” de Nuno Gomes Oliveira, 31-10-2002)